Geografia Poesia Fé: Março 2008

Reflexões de Um Copo: Paredes e Maldições

Olho para as paredes e suas rachaduras me riem, estou só. A noite caiu como uma pluma, e foi levada pelos ventos das indecisões, os dias não são iguais e nunca mais serão.
Ando porta afora buscando longe de mim o que perdi dentro. Talvez no abismo do deserto abaixo da cordilheira mais próxima.
Talvez escrever tenha perdido todo o sentido para mim, afinal são só palavras. Talvez, tenha encontrado aquele momento, um momento sempre muito nosso, aquele momento de vivê-las.
É como uma abóbora rocha, se é que elas existem, mas isso não importa muito.
Agora somente vejo o meu desejo e nele a possibilidade de saciá-lo, mas e depois!? Certamente a morte. Talvez o tédio e mais além a morte... quem sabe outro desejo e mais tarde, morte.
Seria a morte a única certeza!?
Oh! Estás palavras e desejos vãos, até quando me atormentarão!?
O copo está a beira da mesa, mas ele não cairá!
A vertigem o chama, o chão clama por ele, mas o copo sabe que apesar dos frescores efêmeros e da intensa queda, ao tocar o chão, ele certamente morrerá! Como tantos outros copos rebeldes o bastante para se atirar e morrer. Passagueiro como um relâmpago que não cai duas vezes no mesmo lugar.
Oh sim, a todo copo lhe foi destinado ser formado e espatifado somente uma vez, pois todos os copos são pó e ao pó devem voltar.
Porque prosa se poesia e porque poesia se prossa? Todas coxas! Meras palavretas, reflexos de uma mente que tenta expressar gemidos inexprimíveis em letras, símbolos, simbologias, borboletas.

(Judson Malta)

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